LP
Capa do Artigo

INIBIDORES DE DDP-1 EM BRONQUIECTASIAS NÃO-FIBROCÍSTICAS

Bronquiectasias não fibrocísticas Por Fernando Studart 28 Visualizações 12/01/2026 14:28

Os inibidores de DDP-1 bloqueiam a enzima dipeptidil peptidase‑1 (catepsina C) na medula óssea, impedindo a ativação das proteases séricas dos neutrófilos (elastase, proteinase 3, catepsina G) durante a granulopoiese.

Com isso, os neutrófilos maduros chegam à circulação com menor carga de proteases ativas, reduzindo a agressão proteolítica ao epitélio brônquico e a inflamação neutrofílica crônica nas vias aéreas. Trata-se de uma nova classe de medicação oral com o propósito de alterar a evolução de pacientes portadores de bronquiectasias não fibrocísticas.

Em revisão sistemática recente (Janeiro/2026), inclusive com autores brasileiros, dados de 4 estudos randomizados controlados foram incluídos e avaliados. Os estudos avaliados foram:

·       WILLOW (fase 2, brensocatib 10 mg e 25 mg vs placebo, 24 semanas).

·       AIRLEAF (fase 2, BI 1291583 1 mg, 2,5 mg e 5 mg vs placebo, 48 semanas).

·       SAVE-BE (fase 2, HSK31858 20 mg e 40 mg vs placebo, 24 semanas).

·       ASPEN (fase 3, brensocatib 10 mg e 25 mg vs placebo, 52 semanas).

Os resultados da análise compilada mostraram que os inibidores de DDP-1 reduziram o risco de primeira exacerbação em bronquiectasia versus placebo (HR 0,79; IC 95% 0,71–0,88; p<0,001). Também se observou aumento da proporção de pacientes livres de exacerbação (RR 1,33; IC 95% 1,12–1,58; p<0,01). Houve pequena melhora do VEF1 pós-broncodilatador (MD 1,1 pontos percentuais; IC 95% 0,05–2,15; p=0,04), sem benefício significativo em qualidade de vida (MD 1,35; IC 95% −0,72 a 3,42; p=0,10). O perfil de segurança foi globalmente semelhante ao placebo, com menor risco de eventos adversos graves (RR 0,74; IC 95% 0,57–0,96; p=0,022) e maior risco de eventos dermatológicos (RR 1,76; IC 95% 1,11–2,80; p=0,016).

Deve-se ressaltar que as exacerbações pulmonares são um dos principais determinantes de morbidade na bronquiectasia, levando à queda de função pulmonar, pior qualidade de vida, maior uso de serviços de saúde e maior mortalidade. Os tratamentos atuais, baseados principalmente em antibióticos e corticosteroides, muitas vezes não previnem exacerbações recorrentes, o que reforça a necessidade de terapias que atuem na fisiopatologia de base, como os inibidores de DPP‑1, primeira classe anti-inflamatória dirigida especificamente à inflamação neutrofílica na bronquiectasia. 

Nos ensaios WILLOW e SAVE‑BE, as concentrações médias de proteases séricas neutrofílicas ativas no escarro (elastase, proteinase 3 e catepsina G) foram significativamente menores nos grupos DPP‑1, retornando ao basal quatro semanas após suspender a droga, o que sustenta o mecanismo de redução da atividade dessas enzimas e potencial interrupção do “vórtex vicioso” inflamatório desta doença.

Link de Referência: https://www.resmedjournal.com/article/S0954-6111(25)00670-5/abstract