No Scleroderma Lung Study-I (SLS-I)(Junho/2006), 158 pacientes sintomáticos com esclerose sistêmica associada à doença pulmonar intersticial (DPI) e evidência de alveolite (conforme achados do LBA ou TCAR de tórax) foram randomizados para ciclofosfamida (CFM) oral (2 mg/kg/dia) vs. placebo durante um ano. Após este período, todos os pacientes foram seguidos por mais um ano sem intervenção, completando 24 meses de acompanhamento. Média basal de CVF da população avaliada foi de 68,1% ± 1,0%, enquanto a medida de DLCO foi de 47,2% ± 1,1%.
Em termos de desfecho primário, a diferença ajustada em CVF% (CFM - placebo) ao final de 12 meses: +2,53% (IC 95%: 0,28-4,79, p=0,03); mantida aos 24 meses (+1,95%, IC 95%: 1,2-2,6%, p<0,01). Porém, a diferença entre os dois grupos aos 24 meses, apesar de ainda estatisticamente significante, mostrou-se mínima, aliás estamos nos referindo a uma diferença entre os grupos inferior a 2% na CVF%. Em outras palavras, 49,3% dos participantes no grupo da CFM apresentaram estabilização ou aumento da CVF, o que se mostrou significativamente inferior aos 26,4% do grupo placebo. Observou-se, no entanto, maior frequência de eventos adversos (EA) entre os participantes do grupo da CFM, em especial ↑ leucopenia/neutropenia (p<0,05), sem ↑ EAs graves.
O SLS-I representa um estudo pivotal, tendo sido um dos pioneiros a confirmar o papel da imunossupressão no tratamento da DPI associada à esclerose sistêmica.
Link de Referência: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa055120