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Trepostinil para pacientes com doença pulmonar intersticial e hipertensão pulmonar (grupo 3)

Hipertensão pulmonar Por Fernando Studart 3 Visualizações 29/01/2026 17:23

O estudo INCREASE (Janeiro/2021) trouxe evidências robustas sobre o uso do treprostinil inalatório em pacientes com hipertensão pulmonar associada a doenças intersticiais pulmonares, uma condição que carecia de terapias aprovadas. A composição etiológica das DPIs foi equilibrada entre os braços do estudo, sendo a pneumonias intersticiais idiopáticas a causa mais comum, presente em 39,9% do grupo treprostinil e 49,7% do grupo placebo. Outras etiologias importantes incluíram a fibrose pulmonar combinada com enfisema, observada em 25,8% dos pacientes no grupo da intervenção e 24,5% no placebo, além de doenças do tecido conjuntivo, que afetaram 24,5% e 19,6% dos grupos, respectivamente. Causas menos frequentes como pneumonite de hipersensibilidade fibrótica (6,1% vs. 5,5%) e doenças ocupacionais (3,1% vs. 0,6%) também foram representadas.

No desfecho primário de eficácia, o grupo tratado com o trepostinil apresentou uma melhora significativa na capacidade de exercício aos 4 meses de acompanhamento. A diferença entre os grupos usando o método dos mínimos quadrados na variação da distância percorrida no teste de caminhada de 6 minutos (TC6M) foi de 31,12 metros em favor do treprostinil, com um intervalo de confiança de 95% entre 16,85 e 45,39 metros (p<0,001). Do ponto de vista crítico, esse ganho de 31 metros situa-se dentro da faixa estimada para a diferença mínima clinicamente importante em pacientes com doença pulmonar, validando a relevância clínica do achado estatístico.

Quanto aos desfechos secundários, observou-se uma redução de 15% nos níveis de NT-proBNP no grupo treprostinil, enquanto o grupo placebo apresentou um aumento de 46%, resultando em uma razão de tratamento de 0,58. O tempo para piora clínica também favoreceu a intervenção, ocorrendo em 22,7% dos pacientes tratados contra 33,1% no grupo placebo, o que representa uma razão de risco de 0,61.

No perfil de segurança, os efeitos colaterais mais reportados foram consistentes com a via de administração e a classe da droga, incluindo tosse em 43,6% dos casos, cefaleia em 27,6% e dispneia em 25,2%. Apesar desses eventos, não houve impacto deletério na função pulmonar ou na oxigenação sistêmica, o que reforça a segurança do perfil inalatório ao evitar o desequilíbrio ventilação-perfusão frequentemente temido com vasodilatadores sistêmicos nessa população.

Infelizmente, o trepostinil não se encontra disponível no Brasil.

Link de Referência: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2008470