Poucas são as publicações que avaliam a troca "switch" entre imunobiológicos. O XALOC-1 é um estudo de vida real, uma coorte retrospectiva, multicêntrico e multinacional, que avaliou asmáticos graves de perfil eosinofílico, sem controle adequado, que tiveram a prescrição de Benralizumab. Foram incluídos 1002 pacientes com mais de 18 anos, dos quais cerca de 40% já faziam o uso de imunobiológicos (cerca de 60% Omalizumab, cerca de 40% Mepolizumab e um pequeno contingente de Reslizumab). Foram avaliados dados referentes à 1 ano antes e 1 ano após o início de Benralizumab, os principais desfechos analisados foram taxa de exacerbações, controle de asma e uso de corticóide sistêmico.
Exacerbações: houve uma redução de 87.7% na taxa anual de exacerbações entre os pacientes que não utilizavam biológicos previamente e de 72.9% entre usuários de imunobiológicos anteriormente ao início de Benralizumabe(75% nos usuários de Omalizumab X 69% nos usuários de Mepolizumab). 74.9% dos não usuários de biológicos se mantiveram livre de exacerbações após 1 ano X 65.4% nos usuários de biológicos (68.1% Omalizumab ; 60.4% Mepolizumab). Em contraste, no ano anterior ao início de Benralizumab, apenas 17.2% dos não usuários de imunobiológicos estavam livre de exacerbações X 22.4% dos usuários de imunobiológicos. Todos os subgrupos analisados foram beneficiados com Benralizumab, no entanto resposta mais expressiva foi observada naqueles com níveis mais elevados de Eosinófilos e FENO.
Uso de corticóide sistêmico: 56% dos não usuários de imunobiológicos X 36.5% dos usuários de imunobiológicos, conseguiram suspender por completo o uso de corticóide sistêmico. O percentual global de redução na dose de corticóide sistêmico foi de 63.2% nos não usuários de imunobiológico e 34.9% nos usuários de imunobiológicos.
Controle de Asma: melhora clinicamente significativa nos questionários de controle de asma(ACT E ACQ-6)ocorreu em 72% dos não usuários de imunobiológicos e em 60.9% dos usuários de imunobiológicos.
Conclusão: esta publicação em situação de vida real realça a eficácia de Benralizumab em portadores de Asma Grave Eosinofílica já demonstrada previamente em estudos randomizados e controlados. Como interessante dado adicional, Benralizumabe se mostrou como boa opção em "switch"(troca) de imunobiológico em casos de não resposta efetiva. Nesta publicação, pacientes sob uso de Anti IL-5 (Mepolizumab) ou de Anti-IgE(Omalizumab) sem resposta satisfatória, foram trocados para Anti IL-5R(Benralizumab) e obtiveram expressiva melhora em taxa de exacerbações, redução de uso de corticóide oral e melhor controle da Asma. Tal achado sugere em relação à troca Mepolizumab>Benralizumab, que talvez a depleção eosínofilica alcançada com os IL-5R pode ser superior aos Anti IL-5 explicando a melhora após a troca. Em relação à troca Omalizumab>Benralizumab, é possível que a presença do perfil alérgico(IgE total elevado, RAST ou Prick test+, Antec pessoal ou familiar de atopias) não assegure sucesso com o uso dos Anti-IGE e a troca por um Anti-IL5R pode ser efetiva.