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STELLAR TRIAL - Sotatercepte em pacientes com hipertensão arterial pulmonar

Hipertensão pulmonar Por Fernando Studart 1 Visualizações 29/03/2026 10:57 Artigo de 2023

O estudo STELLAR, um ensaio clínico de fase 3, multicêntrico e duplo-cego, publicado no New England Journal of Medicine (Abril/2023), avaliou a eficácia e segurança do sotatercepte como terapia adjuvante em pacientes adultos com hipertensão arterial pulmonar (HAP) em classe funcional II ou III da OMS. O sotatercepte é uma proteína de fusão "first-in-class" que atua como uma armadilha de ligantes, reequilibrando a sinalização da superfamília do fator de crescimento transformador beta (TGF-β), que é um dos principais mecanismos impulsionadores do remodelamento vascular proliferativo na HAP.

Neste estudo, 323 pacientes foram randomizados em uma proporção de 1:1 para receber sotatercepte subcutâneo (dose inicial de 0,3 mg/kg, escalonada para a dose alvo de 0,7 mg/kg) ou placebo a cada 21 dias. Todos os participantes deveriam estar em uso de terapia estável por pelo menos 90 dias antes da inclusão. Notavelmente, 61,3% dos pacientes já estavam em terapia tripla e 39,9% utilizavam infusão contínua de análogos da prostaciclina.

O desfecho primário foi a mudança na distância percorrida no teste de caminhada de 6 minutos (TC6M) após 24 semanas. O grupo sotatercepte apresentou um aumento mediano de 34,4 m no TC6M, comparado a apenas 1,0 m no grupo placebo. A diferença estimada pelo método de Hodges-Lehmann foi de 40,8 m (IC 95%, 27,5 a 54,1; p<0,001).

Oito dos nove desfechos secundários mostraram melhorias significativas.

·       Melhora Multicomponente: 38,9% dos pacientes no grupo sotatercepte atingiram os critérios de melhora (TC6M, NT-proBNP e Classe Funcional) contra 10,1% no placebo.

·       Hemodinâmica: Houve uma redução expressiva na resistência vascular pulmonar (RVP), com uma diferença mediana de -234,6 dyn·sec·cm em relação ao placebo.

·       Piora Clínica ou Morte: O risco de morte ou piora clínica não fatal foi 84% menor com o uso de sotatercepte (Hazard Ratio 0,16; IC 95%, 0,08 a 0,35).

O perfil de segurança foi consistente com estudos de fase 2 anteriores. Efeitos colaterais comuns incluíram epistaxe (12,3%), telangiectasias (10,4%), tontura (10,4%) e aumento dos níveis de hemoglobina. Em termos de eventos adversos de interesse, observaram-se sangramentos (predominantemente leves, como sangramento gengival e epistaxe), que ocorreram em 21,5% dos pacientes tratados. Aumento da hemoglobina acima de 2,0 g/dl foi observado em 12,3% dos casos, sendo manejado com interrupção ou redução da dose, sem levar a descontinuações do tratamento.

O estudo teve um período de tratamento mediano de 7,5 meses, o que impede a avaliação da durabilidade da resposta e da segurança a longo prazo. Além disso, não foi desenhado para avaliar especificamente o impacto na mortalidade isolada.

Em suma, o estudo STELLAR concluiu que o sotatercepte proporciona um benefício clínico significativo mesmo em pacientes já recebendo o que é considerado o tratamento máximo (terapia tripla), sugerindo que a modulação da via do TGF-β promove um via adicional de tratamento, ao permitir “atacar” a raiz fisiopatológica da doença, ou seja, o remodelamento vascular proliferativo na HAP.

Link de Referência: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2213558