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METREX e METREO trials - Mepolizumabe para DPOC com fenótipo eosinofílico

DPOC Por Fernando Studart 45 Visualizações 03/04/2026 12:47 Artigo de 2017

O papel da inflamação eosinofílica na Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) tem sido alvo de intenso debate, especialmente no que tange à identificação de fenótipos que se beneficiam de terapias biológicas. Os estudos METREX e METREO, publicados simultaneamente no NEJM (Outubro/2017), investigaram a eficácia do mepolizumabe, um anticorpo monoclonal anti-interleucina-5, como terapia adjuvante em pacientes com DPOC moderada a grave e histórico de exacerbações frequentes, mesmo sob terapia tripla otimizada com corticosteroides inalatórios, LABA e LAMA.

No METREX, a randomização incluiu uma população estratificada: 462 pacientes com fenótipo eosinofílico (eosinófilos ≥150/mm3 no rastreio ou ≥300/mm3 no último ano) foram randomizados para mepolizumabe 100 mg ou placebo, enquanto 374 pacientes sem esse fenótipo também foram randomizados. Já no METREO, 674 pacientes exclusivamente com fenótipo eosinofílico foram divididos em três grupos: mepolizumabe 100 mg, mepolizumabe 300 mg ou placebo. Em ambos os ensaios clínicos, as características basais foram bem equilibradas entre os grupos, com média de idade de 65 anos e uma taxa de exacerbações no ano anterior de aproximadamente 2,5 a 2,7 eventos por paciente.

Os resultados do desfecho primário — a taxa anual de exacerbações moderadas ou graves — revelaram uma resposta modesta e dependente do biomarcador. No METREX, o grupo com fenótipo eosinofílico tratado com 100 mg de mepolizumabe apresentou uma taxa de 1,40 exacerbações/ano versus 1,71 no placebo, representando uma redução de 18% (razão de taxa 0,82; IC 95% 0,68 a 0,98; p=0,04). Contudo, na população geral do estudo, sem seleção por eosinófilos, não houve diferença estatística (razão de taxa 0,98). No METREO, embora as taxas tenham sido numericamente menores com mepolizumabe (1,19 exacerbações/ano no grupo 100 mg e 1,27 no grupo 300 mg versus 1,49 no placebo), os resultados não atingiram significância estatística ajustada, com valores de p de 0,07 e 0,14, respectivamente.

Uma avaliação crítica desses dados sugere que, embora o bloqueio da via da IL-5 possa reduzir exacerbações em um subgrupo muito específico, a magnitude do efeito é inferior à observada na asma eosinofílica grave. É notável que o aumento da dose para 300 mg não trouxe benefícios adicionais, reforçando que o teto terapêutico para a supressão eosinofílica no DPOC parece ser atingido com doses menores. Além disso, não houve melhorias clinicamente significativas na função pulmonar (VEF1) ou na qualidade de vida medida pelos escores SGRQ e CAT, o que limita a percepção de benefício global pelo paciente no dia a dia.

Quanto à segurança, o perfil do mepolizumabe foi comparável ao do placebo. Os eventos adversos mais comuns foram exacerbação da DPOC, nasofaringite e cefaleia. Um ponto de atenção foi a taxa de pneumonia, que variou de 9% a 11% entre os grupos, uma incidência superior à de estudos anteriores de DPOC, mas que não diferiu entre o imunobiológico e o placebo. Esse achado provavelmente reflete o uso crônico de altas doses de corticosteroides inalatórios pela população estudada. Em suma, o mepolizumabe surge como uma opção de medicina de precisão para pacientes com DPOC e inflamação eosinofílica persistente, embora sua indicação deva ser cautelosa, considerando o benefício focado estritamente na redução de exacerbações em pacientes selecionados.

Link de Referência: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1708208