Desde publicações remotas documentando a redução de mortalidade em portadores de TEP de alto risco(instabilidade hemodinâmica) tratados com trombólise química(medicamentosa), pouco foi estudado sobre os benefícios dos trombolíticos em pacientes de risco intermediário/elevado (elevação de marcador de injúria miocárdica(troponina) + alteração de ventrículo direito em ECO/TC(disfunção, dilatação e/ou hipertensão pulmonar).
PEITHO trial foi um estudo randomizado e duplo-cego que comparou a trombólise química com tenecteplase X terapia covencional(anti coagulação) em portadores de TEP de risco moderado/elevado(troponina I ou troponina T elevada + TC e/ou ECO com alteração de ventrículo direito). Forma incluídos 1005 pacientes com mais de 18 anos, com TEP de risco moderado/elevado com até 15 dias de início dos sintomas, que foram randomizados na proporção 1:1 para receber trombólise química seguida de anti coagulação X terapia covencional(anticoagulação isolada). O desfecho primário foi uma composição entre mortalidade OU instabilidade hemodinâmica em 7 dias, os pacientes foram acomapnhados por 30 dias.
O desfecho primário composto de mortalidade OU instabilidade hemodinâmica em 7 dias aconteceu em 2,6% dos pacientes no grupo trombólise X 5,8% no grupo terapia convencional(redução com significância estatística). Tal resultado se deveu prioritariamente por redução na ocorrência de instabilidade hemodinâmica (1,6% X 5%), sendo que não houve diferença significativa na taxa de mortalidade em 7 dias (avaliada isoladamente) entre os grupos(1,2% x 1,9%). Vale ressaltar que nos pacientes acima de 75 anos tal diferença não foi estatisticamente significativa entre os grupos para o desfecho primário.
Entre os desfechos secundários:
Mortalidade em 30 dias foi semelhante entre os grupos (2,4% X 3,2%, sem significância estatística).
A taxa de sangramento MAIOR se mostrou estatisticamente elevada nos pacientes submetidos à trombólise, tanto em sangramentos extra cranianos como em AVC hemorrágico(11,5 X 2,4%). Vale ressaltar que tal diferença foi estatisticamente significativa nos pacientes acima de 75 anos.
Índice de recorrência de TEP em 7 dias, taxa de mortalidade em 30 dias, taxa de hospitalização e re-hospitalização em 30 dias foram semelhante entre os grupos.
Conclusão: em pacientes portadores de TEP de risco moderado/elevado(troponina elevada + alteração de VD em ECO ou TC), a trombólise com tecneteplase reduziu a ocorrência de mortalidade ou instabilidade hemodinâmica em 7 dias com maior índice de sangramento MAIOR, incluindo AVC hemorrágico. Tal resultado foi determinado principalmente por menor taxa de instabilização hemodinâmica, sem redução expressiva de mortalidade em 7 ou 30 dias. Deve-se ressaltar que a análise da taxa de mortalidade isolada fica prejudicada pela baixa cocrrência de eventos em ambos os grupos. O resultado em relação ao desfecho primário foi mais robusto em menores de 75 anos e a ocorrência de sangramento mais evidente em maiores de 75 anos.