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BOREAS trial - Dupilumabe para DPOC com fenótipo eosinofílico

DPOC Por Fernando Studart 59 Visualizações 10/04/2026 08:34 Artigo de 2023

O ensaio clínico BOREAS, publicado no New England Journal of Medicine (Julho/2023), investigou a eficácia e segurança do dupilumabe em pacientes com DPOC que apresentavam evidência de inflamação do tipo 2. Diferente de outros biológicos que focam exclusivamente na interleucina-5, o dupilumabe bloqueia o componente receptor compartilhado pelas interleucinas 4 e 13, que são mediadores fundamentais na cascata inflamatória do tipo 2. O estudo partiu da premissa de que a inflamação eosinofílica, presente em 20 a 40% dos pacientes com DPOC, contribui significativamente para o risco de exacerbações e para o declínio da função pulmonar.

A randomização foi conduzida de forma rigorosa em 275 centros, distribuindo 939 pacientes em uma razão 1:1 para receber dupilumabe 300 mg ou placebo, por via subcutânea, a cada 2 semanas durante um período de 52 semanas. Os grupos foram estratificados por país e pela dose basal de corticosteroides inalatórios. As características demográficas e clínicas foram bem equilibradas entre o grupo intervenção e o controle: a média de idade foi de 65,1±8,1 anos, com predomínio de homens (66,0%) e brancos (84,1%). Notavelmente, 97,6% dos pacientes já estavam em terapia tripla (corticosteroide inalatório, LAMA e LABA) e todos possuíam contagem de eosinófilos sanguíneos ≥ 300/µl no rastreio. Além disso, os participantes tinham um histórico de pelo menos duas exacerbações moderadas ou uma grave no ano anterior, com um VEF1 médio pós-broncodilatador de 50,6% do previsto.

O desfecho primário revelou uma redução clinicamente expressiva e estatisticamente significativa na taxa de exacerbações. O grupo dupilumabe apresentou uma taxa anualizada de exacerbações moderadas ou graves de 0,78 (IC 95%, 0,64 a 0,93) contra 1,10 (IC 95%, 0,93 a 1,30) no grupo placebo, o que representa uma razão de taxa de 0,70 (p < 0,001). Em relação à função pulmonar, o dupilumabe promoveu um aumento no VEF1 pré-broncodilatador de 160 ml na 12ª semana, em comparação a 77 ml no placebo, resultando em uma diferença média de 83 ml (p < 0,001), ganho que se manteve sustentado até a 52ª semana. Melhoras significativas também foram observadas na qualidade de vida (questionário SGRQ) e na severidade dos sintomas respiratórios (escore E-RS-COPD).

Quanto à segurança, a incidência de eventos adversos foi comparável entre os grupos (77,4% no dupilumabe e 76,0% no placebo). Os eventos mais frequentes foram nasofaringite, infecção do trato respiratório superior e cefaleia. Eventos adversos graves ocorreram em 13,6% dos pacientes tratados com dupilumabe versus 15,5% no grupo placebo, e as taxas de óbito foram baixas e equilibradas (1,5% e 1,7%, respectivamente). Em uma análise crítica, o BOREAS estabelece um novo paradigma para a terapia biológica na DPOC, demonstrando que, ao atingir as vias das IL-4 e IL-13 em pacientes com fenótipo de inflamação do tipo 2 bem definido, é possível obter benefícios, diferentemente do bloqueio isolado da IL-5, que não alcançou resultados consistentes em estudos anteriores  (METREX/METREO trials: mepolizumabe mostrou resultados positivos versus placebo ≠ GALATHEA/TERRANOVA trials: benralizumabe não se associou a resultados superiores ao placebo), especialmente no que tange à melhora concomitante da função pulmonar e da redução de exacerbações.

Link de Referência: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2303951